A cachaça em teste

Elas são parte da gastronomia brasileira e fazem muito sucesso também no exterior. As cachaças e aguardentes de cana, porém, podem fazer mal à saúde. E não estamos falando apenas da desagradável ressaca no dia seguinte.

PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor realizou testes em 10 marcas de cachaças líderes no Brasil para analisar a quantidade de arsênio, chumbo, metanol e carbamato de etila, considerado pela Organização Mundial da Saúde como um provável agente cancerígeno. Foi constatado que cinco marcas apresentaram carbamato de etila acima dos níveis aceitáveis. Isso não quer dizer que se você tomar uma dose ficará predisposto a um câncer, mas é melhor para a sua saúde optar por uma marca com baixos teores de carbamato.

Cachaça Kit Caipirinha Ville
Cachaça

Carbamato de Etila – substância que está presente em alimentos fermentados como bebidas alcoólicas destiladas e sua ingestão deve ser o menor possível.  O valor aceitável estipulado no Brasil, mas que ainda não está em vigor, é de, no máximo, 150µg/l (micrograma por litro). As empresas têm até 2014 para separa se adequarem à norma.

Sacarose disfarça imperfeições da bebida

Segundo a legislação brasileira, cachaças e aguardentes devem conter de 6 a 30 gramas de sacarose por litro para designar-se “adoçada”. A adição de sacarose pode disfarçar imperfeições da bebida decorrentes de sua produção e torna o produto mais suave. Foram feitas também análises específicas de acidez, ésteres totais, alcoóis superiores e furfural, que, somadas, não podem ser inferiores a 200 mg por 100 ml, nem superiores a 650 mg de álcool anidro. O limite inferior define o mínimo de impurezas  necessárias ao bouquet, que confere à bebida aroma, sabor e consistência característicos, e o máximo indica o nível de impurezas permitido.

Entre as substâncias, ainda estão os aldeídos. Sua quantidade deve ser a menor possível, já que eles contribuem para intoxicações e sintomas de ressaca, como náusea, vômitos, confusão mental e dores de cabeça.

O álcool metílico, mais conhecido como metanol é indesejável em bebidas por ser tóxico. E, caso esteja presente nas cachaças e aguardentes, sua quantidade não deve ultrapassar 20 mg por litro de álcool anidro.

LABM – Laboratório

Em seguida, o parecer do LABM Pesquisa e Consultoria Ltda, sob a coordenação da Dra. Amazile Biagioni Maia, Engenheira Química, Mestre em alimentos que presta consultoria em todo o processo de fabricação, desde a colheita da cana madura até o engarrafamento com diversas análises químicas que garantem um produto final com qualidade sensorial e isento de qualquer elemento tóxico:

Além do etanol e gás carbônico, as leveduras que fermentam o caldo de cana secretam dezenas de compostos secundários. Um deles é a uréia, substância que contém o nitrogênio excedente do metabolismo celular.

Por hidrólise (que pode ser intra ou extracelular) a uréia converte-se em ácido carbâmico, um composto instável, que pode converter-se em amônia e dióxido de carbono, ou, na presença de etanol, em carbamato de etila.

Portanto, o CARBAMATO DE ETILA é uma substância resultante da reação entre o etanol (principal produto da líquido da fermentação alcoólica) e o ácido carbâmico, composto relacionado ao metabolismo e secreção do nitrogênio pelos microrganismos.

Trata-se de um éster do ácido carbâmico, assim como o acetato de etila é um éster do ácido acético. Por várias décadas ao longo do século XX, o carbamato de etila foi usado, nos Estados Unidos, para diversos fins (agente anti-câncer, pesticidas, fumigantes, anestésicos veterinários…). Embora cientificamente ultrapassado, ainda hoje é reconhecido como agente para combate ao câncer e tumores malignos.

Na cachaça:

Cachaça brasileira

Seguindo o padrão canadense (inexistente na maioria dos países e inferior ao da Alemanha) a legislação brasileira fixou o limite de carbamato de etila na cachaça em 150 µg /L (menos que 40 µg/100 mL etanol) que passaria a valer a partir de 2010.

Na literatura, os dados disponíveis relatam teores na faixa de 0 a até 6000 µg/L. Os valores acima de 1000 µg /L, porém, decorreram do emprego de uréia como fonte de nitrogênio na fermentação, prática nunca adotada na produção de cachaça de alambique, e já abandonada na industrial. Os valores médios oscilam na faixa de 300 a 600 µg/L.

Em experimentos com ratos e camundongos, foi relatada ocorrência de tumores malignos a partir da ingestão diária, durante 2 anos, de 500 µg/kg de peso para ratos e 100 µg/kg de peso para camundongos.

Transferidos para humanos, os testes indicam que, o carbamato de etila poderia acarretar tumores malignos em indivíduos (60 kg de peso) que ingerissem 6 (seis) litros de cachaça contendo 1000 µg/L de carbamato de etila por dia durante 2 anos. Portanto, o risco para a saúde relacionado à ingestão de carbamato de etila através da cachaça é muito menor do que o representado por outros componentes da bebida, inclusive o próprio etanol.

Felizmente, o prazo para vigência do limite de 150 µg /L foi adiado e as entidades representantes dos produtores de cachaça acham-se mobilizadas no sentido de cancelar esse parâmetro, ou aumentar acentuadamente o limite a ser tolerado. Pois o monitoramento permanente do teor de carbamato de etila onera os produtores sem que disso resulte benefício para a saúde dos consumidores.

Fontes:
Revista ProTeste  – Ano XI – Nº 121 – Fev/13
Laboratório Amazile Biagione Maia:  www.labm.com.br/avancos/view 

Aquisição do Kit Caipirinha Ville:
www.kitcaipirinhaville.com.br

 

 

25-04-2013
suporte

Deixar uma Resposta